{"id":564,"date":"2019-08-22T20:47:51","date_gmt":"2019-08-22T20:47:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/amazoniajudaica\/?p=564"},"modified":"2019-08-22T20:50:41","modified_gmt":"2019-08-22T20:50:41","slug":"presenca-judaica-na-amazonia-preservacao-e-aculturacao-um-estudo-atraves-do-caso-dos-elmaleh-salgado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.amazoniajudaica.com.br\/en\/2019\/08\/22\/presenca-judaica-na-amazonia-preservacao-e-aculturacao-um-estudo-atraves-do-caso-dos-elmaleh-salgado\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a Judaica na Amaz\u00f4nia \u2013 Preserva\u00e7\u00e3o e Acultura\u00e7\u00e3o Um estudo atrav\u00e9s do caso dos Elmaleh \/ Salgado"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; admin_label=&#8221;About Us&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; fb_built=&#8221;1&#8243; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0&#8243;][et_pb_row _builder_version=&#8221;3.25&#8243; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.0&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;3.25&#8243; custom_padding=&#8221;|||&#8221; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.0.0&#8243; custom_padding__hover=&#8221;|||&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.27.2&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; header_font=&#8221;||||||||&#8221; header_2_font=&#8221;Rubik|700|||||||&#8221; header_2_font_size=&#8221;42px&#8221; header_2_line_height=&#8221;1.2em&#8221; text_orientation=&#8221;center&#8221; module_alignment=&#8221;center&#8221; custom_margin=&#8221;|||&#8221; custom_padding=&#8221;|||&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; header_2_font_size_phone=&#8221;36px&#8221; header_2_font_size_last_edited=&#8221;on|phone&#8221; locked=&#8221;off&#8221; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.0.0.0&#8243;]<\/p>\n<h2><strong>Presen\u00e7a Judaica na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/h2>\n<h2><strong>Preserva\u00e7\u00e3o e Acultura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<h2><strong>Um estudo atrav\u00e9s do caso dos Elmaleh \/ Salgado<\/strong><\/h2>\n<h4>Por: Elias Salgado<\/h4>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_divider color=&#8221;#ffb400&#8243; divider_position=&#8221;center&#8221; divider_weight=&#8221;5px&#8221; _builder_version=&#8221;3.9&#8243; max_width=&#8221;50px&#8221; module_alignment=&#8221;center&#8221; locked=&#8221;off&#8221; _i=&#8221;1&#8243; _address=&#8221;0.0.0.1&#8243;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;3.25&#8243; _i=&#8221;1&#8243; _address=&#8221;0.1&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;3.25&#8243; custom_padding=&#8221;|||&#8221; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.1.0&#8243; custom_padding__hover=&#8221;|||&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.27.2&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;15px&#8221; text_line_height=&#8221;1.8em&#8221; custom_margin=&#8221;-4px|||||&#8221; custom_padding=&#8221;|||&#8221; custom_padding_tablet=&#8221;|40px||40px||true&#8221; custom_padding_last_edited=&#8221;off|desktop&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.1.0.0&#8243;]<\/p>\n<p><span>O presente trabalho tem por objetivo, estudar a trajet\u00f3ria dos judeus oriundos do Marrocos, que imigraram para a Amaz\u00f4nia, o &#8220;Eldorado Verde&#8221;, a partir das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX.<\/span><\/p>\n<p><span>Empreender uma an\u00e1lise da rela\u00e7\u00e3o preserva\u00e7\u00e3o \u2013 acultura\u00e7\u00e3o deste grupo, bem como realizar um recorte hist\u00f3rico no per\u00edodo da Segunda Guerra Mundial para avaliar duas quest\u00f5es centrais: o integralismo no Amazonas e seu cunho anti-semita (ou n\u00e3o), e a atua\u00e7\u00e3o dos judeus locais na &#8220;campanha da borracha&#8221;. (2)<\/span><\/p>\n<p><span>As quest\u00f5es acima citadas ser\u00e3o abordadas atrav\u00e9s do estudo da atua\u00e7\u00e3o de Rubem Salgado na Secretaria de Estado de Fazenda e Finan\u00e7as e na Superintend\u00eancia de Abastecimento do Vale Amaz\u00f4nico (S.AV.A.)<\/span><\/p>\n<p><span>A presen\u00e7a judaica na Amaz\u00f4nia tem in\u00edcio em torno de 1810 como podem comprovar a cria\u00e7\u00e3o das duas primeiras sinagogas do Brasil: Shaar Hashamaim(1823 ou 1824) e Essel Avraham (1826 ou 1828) na cidade de Bel\u00e9m no estado do Par\u00e1, bem como as sepulturas encontradas no primeiro cemit\u00e9rio judaico daquela cidade: o da Avenida Soledade, fundado em 1848. A sepultura mais antiga, datada de 27 de sivan (maio\/junho) de 1848 \u00e9 de Mordechai Hacohen.<\/span><\/p>\n<p><span>O primeiro pedido de naturaliza\u00e7\u00e3o e de licen\u00e7a para comerciar que se tem conhecimento (3) \u00e9 do judeu marroquino Jos\u00e9 Benj\u00f3 , foi solicitado no ano de 1823.<\/span><\/p>\n<p><span>Outra cita\u00e7\u00e3o bem antiga encontra-se no Jornal Kol Israel (Voz de Israel) editado pelo Major Eliezer Levy, em seu n\u00famero de 8 de dezembro de 1919. Informa que a primeira licen\u00e7a para comerciar, dada pelo Governo Imperial do Gr\u00e3o-Par\u00e1 e assinada pelo Marechal Francisco D Andrea, em 4 de julho de 1838, foi \u00e0 firma de um comerciante judeu marroquino Sim\u00e3o Benj\u00f3 para abertura de uma loja no largo do Pelourinho. Logo a seguir novas licen\u00e7as concediam os mesmos privil\u00e9gios \u00e0s firmas de judeus marroquinos: Bendalak &amp;Cia; Ana Fortunato; Salom\u00e3o Levy &amp;Irm\u00e3o; Fortunato Cardoso; Duarte Aflalo entre outros.<\/span><\/p>\n<p><span>As raz\u00f5es que motivaram a sa\u00edda daqueles judeus em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia brasileira j\u00e1 foram anteriormente estudadas por Mirelman, (1987), Bentes (1989), Liberman (1990), Benchimol (1998) e se evidenciam por dificuldades de sobreviv\u00eancia nos &#8220;mellahs&#8221; (bairros judeus), traduzidas por pobreza, super popula\u00e7\u00e3o e epidemias de c\u00f3lera e peste bub\u00f4nica, como as de 1790 e 1818.<\/span><\/p>\n<p><span>O Professor Samuel Benchimol, em seu livro Eretz Amaz\u00f4nia \u2013 Os judeus na Amaz\u00f4nia (1998), aponta para uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores de expuls\u00e3o (como os vistos acima), aos quais acrescenta o apedrejamento de judeus vivos e mortos, a destrui\u00e7\u00e3o de sinagogas, persegui\u00e7\u00f5es e sofrimentos; e fatores de atra\u00e7\u00e3o , tais como:<\/span><\/p>\n<p><strong>1. A cria\u00e7\u00e3o de escolas da Alian\u00e7a Israelita Universal no Marrocos (4)<\/strong><\/p>\n<p><span>Segundo Benchimol, as escolas da Alian\u00e7a Israelita em T\u00e2nger e Tetuan, \u201ctiveram papel importante na educa\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o de judeus, retirando-os da pobreza e ignor\u00e2ncia em que viviam no Marrocos e estimulando-os a emigrar para outros pa\u00edses que pudessem oferecer melhores oportunidades para viver e manter as suas tradi\u00e7\u00f5es judaicas\u201d Al\u00e9m disso cita Vitor Mirelman, que informa que dos 417 rapazes formados pela escola da A. I. U. de Tetuan em 1862, 47% deixaram o pa\u00eds emigrando para outros pa\u00edses, inclusive o Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span>Sendo assim, com o apoio e a forma\u00e7\u00e3o oferecida por aquelas escolas, &#8220;o emigrante judeu-marroquino ao se transferir para a Amaz\u00f4nia, j\u00e1 era um homem ou mulher educado para o trabalho e para vencer na vida&#8221;. A Alian\u00e7a Israelita Universal de Marrocos ajudou a preparar os futuros l\u00edderes judeus da Amaz\u00f4nia, que se tornaram exportadores, viajando para o exterior para fechar neg\u00f3cios e assistir congressos e exposi\u00e7\u00f5es, pois dominavam fluentemente o ingl\u00eas e o franc\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span>Na \u00e9poca da crise da borracha, quando os exportadores ingleses, alem\u00e3es e franceses abandonaram Manaus e Bel\u00e9m, coube aos judeus marroquinos brasileiros substitu\u00ed-los nessas fun\u00e7\u00f5es, fornecendo \u00e0 sociedade local a lideran\u00e7a econ\u00f4mica e social necess\u00e1ria para sobreviver nas d\u00e9cadas de depress\u00e3o e d\u00e9b\u00e2cle da borracha. ( Benchimol, 1998: 54).<\/span><\/p>\n<p><strong>2. Abertura dos portos brasileiros<\/strong><\/p>\n<p><span>Em 1808, sob a amea\u00e7a de invas\u00e3o pelas tropas de Napole\u00e3o, a fam\u00edlia real portuguesa abandona Portugal vindo instalar-se no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span>Em 28 de janeiro de 1808 foi assinada a Carta R\u00e9gia da Abertura dos Portos \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Amigas, sob influ\u00eancia do Visconde de Cair\u00fa.<\/span><\/p>\n<p><span>A Carta R\u00e9gia revogava todas as leis e ordens anteriores &#8220;que at\u00e9 aqui proibiam neste Estado do Brasil o rec\u00edproco com\u00e9rcio e navega\u00e7\u00e3o entre os meus vassalos e estrangeiros&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span>Em 18 de junho de 1814, novo decreto \u00e9 assinado pelo Pr\u00edncipe Regente D. Jo\u00e3o, abrindo os portos em car\u00e1ter definitivo a todas as na\u00e7\u00f5es amigas, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>A Carta R\u00e9gia e o Decreto de 1814 inseriram o Brasil no com\u00e9rcio internacional, pondo fim a tr\u00eas s\u00e9culos de monop\u00f3lio da metr\u00f3pole portuguesa, fato esse que se fez refletir imediatamente nos pa\u00edses da Europa, principalmente Inglaterra, Fran\u00e7a e em Gibraltar e Marrocos onde a presen\u00e7a judaica era significativa desde o s\u00e9culo XV com a expuls\u00e3o dos judeus de Espanha e Portugal.<\/span><\/p>\n<p><span>E assim, novas perspectivas surgem para as judiarias sofridas e oprimidas do Marrocos, em particular as de Tetuan e T\u00e2nger, duas cidades portu\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><strong>3. Tratado de Alian\u00e7a e Amizade<\/strong><\/p>\n<p><span>J\u00e1 h\u00e1 algum tempo (desde fins do s\u00e9culo XVIII), com a crise aur\u00edfera e o advento da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, que a depend\u00eancia portuguesa (de estrutura mercantilista arcaica) \u00e0 coroa inglesa vinha crescendo. Esta posi\u00e7\u00e3o ficou patente com a assinatura do Tratado de Methuen (1703), quando os produtos ingleses passaram a ter privil\u00e9gios de circula\u00e7\u00e3o no mercado portugu\u00eas:<\/span><\/p>\n<p><span>&#8220;(&#8230;) o mercado metropolitano luso era franqueado aos panos brit\u00e2nicos, ao mesmo tempo em que o mercado ingl\u00eas era franqueado aos vinhos que os ingleses fabricavam em Portugal, tudo transportado em navios ingleses e, consequentemente, drenado para a Inglaterra o ouro remetido pelo Brasil.&#8221; (Werneck Sodr\u00e9, N., Forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Brasil, 1987:142).<\/span><\/p>\n<p><span>Com o advento do Bloqueio Continental, a coroa portuguesa assinou em 22 de outubro de 1807 a Conven\u00e7\u00e3o Secreta de Londres, concedendo grandes vantagens comerciais \u00e0 Inglaterra, que em troca, garantiria a transfer\u00eancia da Corte para o Brasil em caso de conflito desta com a Fran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span>Sob este esp\u00edrito \u00e9\u00a0 que em 19 de fevereiro de 1810 foram firmados dois tratados, um de com\u00e9rcio e navega\u00e7\u00e3o e outro de alian\u00e7a e amizade, al\u00e9m de uma conven\u00e7\u00e3o sobre o servi\u00e7o de navios entre o Brasil e a Gr\u00e3 Bretanha (Quadros, 1967). Esse tratado permitiu a introdu\u00e7\u00e3o de manufaturas inglesas de v\u00e1rios produtos.<\/span><\/p>\n<p><span>O Tratado tamb\u00e9m previa o fim do tr\u00e1fico negreiro e que n\u00e3o haveria no futuro Tribunal de Inquisi\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span>Na mesma oportunidade, D. Jo\u00e3o VI permitiu na sede da corte, no Rio de Janeiro, a constru\u00e7\u00e3o do primeiro templo protestante e a liberdade de culto para os vassalos de S. M. Brit\u00e2nica (&#8230;) &#8220;contanto que as sobreditas capelas sejam constru\u00eddas de tal maneira que exteriormente se assemelhem a casa de habita\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m que o uso de sinos n\u00e3o lhes seja permitido&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span>\u00c9 claro que tal resolu\u00e7\u00e3o obteve algumas oposi\u00e7\u00f5es do clero local, por temor ao crescimento da heresia em consequ\u00eancia de tais concess\u00f5es aos anglicanos. Por\u00e9m D. Jo\u00e3o manteve-se fiel aos acordos.<\/span><\/p>\n<p><strong>4. O fim da Inquisi\u00e7\u00e3o, em 1821<\/strong><\/p>\n<p><span>Estava finalmente aberto o caminho para que se iniciasse a imigra\u00e7\u00e3o judaica para o Brasil, uma vez que j\u00e1 n\u00e3o haveriam as persegui\u00e7\u00f5es religiosas sofridas pelos judeus por mais de quatro s\u00e9culos.<\/span><\/p>\n<p><strong>5. A Constitui\u00e7\u00e3o Imperial de 1824<\/strong><\/p>\n<p><span>Esta constitui\u00e7\u00e3o em seu artigo n\u00famero 5 estabeleceu a religi\u00e3o cat\u00f3lica como religi\u00e3o oficial, embora todas as outras religi\u00f5es fossem permitidas desde que em cultos dom\u00e9sticos ou particulares, em casas para isso destinadas, sem forma externa de templo.<\/span><\/p>\n<p><span>Pelo Art. 179 dessa mesma Constitui\u00e7\u00e3o:\u00a0 &#8220;ningu\u00e9m mais poderia ser perseguido por motivo de religi\u00e3o, uma vez que respeitasse a do Estado e n\u00e3o ofendesse a moral p\u00fablica&#8221; (E.\u00a0 Salgado, Hist\u00f3ria e Identidade, a experi\u00eancia dos judeus no Brasil, 2000: 28).<\/span><\/p>\n<p><span>Apesar das concess\u00f5es feitas para apaziguar a Igreja, como afirma Benchimol, era esta situa\u00e7\u00e3o \u201cuma esp\u00e9cie de semiclandestinidade legal para salvar as apar\u00eancias\u201d, o grande passo est\u00e1 no reconhecimento da pr\u00e1tica religiosa dos outros cultos \u2013 era um grande avan\u00e7o. As sinagogas assim poderiam funcionar em casas de fam\u00edlias judaicas como ocorreu logo de in\u00edcio, quando come\u00e7ou a emigra\u00e7\u00e3o sefaradi-marroquina para Bel\u00e9m, por volta de 1810. A primeira sinagoga fundada em 1824 ou 1823 \u2013 Essel Abraham- deve ter funcionado em alguma casa de fam\u00edlia, sem nenhum sinal ou identifica\u00e7\u00e3o de templo.<\/span><\/p>\n<p><strong>6. A primeira Constitui\u00e7\u00e3o republicana (1890)<\/strong><\/p>\n<p><span>Com o advento da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica em 15 de novembro de 1889, foi baixado pelo governo provis\u00f3rio o Decreto 119 de 7 de janeiro de 1890, que aboliu a uni\u00e3o legal da Igreja com o Estado e instituiu o princ\u00edpio de plena liberdade de culto.<\/span><\/p>\n<p><span>Nessa \u00e9poca vivia-se o pleno apogeu do ciclo da borracha, e os judeus marroquinos que, desde 1810, estavam emigrando para a Amaz\u00f4nia receberem novo incentivo e alento para continuar emigrando, pois o novo estatuto pol\u00edtico permitia que as sinagogas sa\u00edssem da semi-clandestinidade para se organizarem como templos de estudo, ora\u00e7\u00e3o e reuni\u00e3o da comunidade judaica.<\/span><\/p>\n<p><span>N\u00e3o s\u00f3 as sinagogas passaram \u00e0 legalidade total, tamb\u00e9m os imigrantes que j\u00e1 se encontravam no pa\u00eds, muitos deles de forma ilegal. Para eles a nova Constitui\u00e7\u00e3o previa uma anistia e os convocava a se naturalizarem.<\/span><\/p>\n<p><span>Foi neste per\u00edodo e oportunidade que o judeu marroquino, oriundo da cidade de Rabat, Eliezer Elmaleh, que j\u00e1 se encontrava no pa\u00eds h\u00e1 v\u00e1rios anos (n\u00e3o sabemos afirmar exatamente quantos), pois seus familiares n\u00e3o conseguem precisar o ano de sua entrada no Brasil, s\u00f3 conseguem afirmar que o fez atrav\u00e9s do porto de Bel\u00e9m; fez seu pedido de naturaliza\u00e7\u00e3o no Cart\u00f3rio de Registros da cidade de Tef\u00e9, no interior do Estado do Amazonas.<\/span><\/p>\n<p><span>No ato de sua naturaliza\u00e7\u00e3o, Eliezer, aproveitou a oportunidade para traduzir o seu nome para L\u00e1zaro Salgado (5). As raz\u00f5es que levaram Salgado a tal procedimento n\u00e3o est\u00e3o muito claras. Seus descendentes alegam que ele se sentia incomodado pela dificuldade que possu\u00edam os nativos de pronunciar corretamente o seu sobrenome.<\/span><\/p>\n<p><span>Por\u00e9m podemos com certeza, encontrar raz\u00f5es mais profundas para tal decis\u00e3o: Certamente Eliezer sentia uma forte necessidade de externar sua atitude de deixar para traz todo um passado de opress\u00e3o e dificuldades sofridas no long\u00ednquo &#8220;mellah&#8221; de Rabat e poder abra\u00e7ar uma nova perspectiva de vida, fazendo-o atrav\u00e9s desse registro de quase &#8220;renascimento&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span>Infelizmente tamb\u00e9m estes registros se perderam. O Cart\u00f3rio da \u00e9poca foi extinto e a fam\u00edlia concession\u00e1ria n\u00e3o preservou os registros.(6)<\/span><\/p>\n<p><span>Eliezer Elmaleh, agora L\u00e1zaro Salgado, assim como centenas de outros judeus pobres oriundos do Marrocos que aflu\u00edam ao norte do Brasil, traziam na bagagem o sonho de vencer a luta contra as adversidades da selva amaz\u00f4nica, objetivando criar uma base de sobreviv\u00eancia, com a qual pudessem se estabelecer no pa\u00eds, se adaptando e se aculturando \u00e0s condi\u00e7\u00f5es locais e ao mesmo tempo se empenhando na preserva\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es judaicas de seus ancestrais.<\/span><\/p>\n<p><span>Em entrevista concedida por seu filho primog\u00eanito, Rubem Salgado, no Rio de Janeiro, em 30\/01\/97, este afirma: \u201cMeu pai trabalhava no &#8216;regat\u00e3o&#8217; no rio Purus para sustentar seus nove filhos e minha m\u00e3e o ajudava fazendo doces e salgados que meu irm\u00e3o David ajudava a vender.<\/span><\/p>\n<p><span>\u00c9ramos muito pobres. Meu pai tamb\u00e9m servia de &#8216;chazan&#8217; (cantor lit\u00fargico) e &#8216;mohel&#8217; (aquele que realiza a circuncis\u00e3o). Muitas vezes presenciei meu pai chegar \u00e0 casa de suas viagens pelos rios com pouco dinheiro, mas feliz pelos casamentos, bar-mitzvah (maioridade religiosa) e brit-milah (circuncis\u00e3o) que havia celebrado&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span>&#8220;Lembro-me ainda de pequeno os &#8216;minianim&#8217; (quorum de dez homens com mais de treze anos) que meu pai organizava em nossa casa no &#8216;Rosh Hashan\u00e1&#8217; (Ano Novo) e no &#8216;Yom Kipur&#8217; (Dia do Perd\u00e3o)&#8221;.<\/span><br \/><span>&#8220;(&#8230;) Meu pai, meu tio Miguel Azulay e Jacob Azulay foram os respons\u00e1veis pela vinda do primeiro &#8216;Sefer Torah&#8217; (pergaminhos da B\u00edblia) para Manaus. Foi comprado por meu tio Miguel. Gra\u00e7as a eles \u00e9 que existe a &#8216;Kehil\u00e1&#8217; (comunidade) de Manaus\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>A partir do depoimento acima, que bem serve como exemplar de v\u00e1rias outras fam\u00edlias de judeus marroqu\u00eds que imigraram para o norte, podemos inferir que a presen\u00e7a seferad\u00ed-marroquina na Amaz\u00f4nia caracteriza-se entre outros aspectos por uma rela\u00e7\u00e3o de acultura\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o. Tal rela\u00e7\u00e3o foi analisada por Eva Blay em trabalho intitulado &#8220;Judeus na Amaz\u00f4nia&#8221; (1997), no qual a autora aponta para a manuten\u00e7\u00e3o pelos imigrantes judeus dos processos de organiza\u00e7\u00e3o social que os caracterizaram ao longo da hist\u00f3ria, em seus pa\u00edses de origem, demonstrando tal processo atrav\u00e9s do uso como paradigma do exemplo dos judeus da Amaz\u00f4nia.<\/span><\/p>\n<p><span>A igual exemplo do caso de L\u00e1zaro Salgado, o qual podemos perceber no presente trabalho, Blay narra a trajet\u00f3ria das fam\u00edlias Benchimol e Athias e conclui:<\/span><\/p>\n<p><span>&#8220;Portanto, a dist\u00e2ncia n\u00e3o significava isolamento nem esquecimento de ra\u00edzes aprendidas. O isolamento era relativo, os contatos constantes, por\u00e9m, com longos per\u00edodos de afastamento. Obedecendo a um calend\u00e1rio religioso,\u00e0 beira dos rios, dos igarap\u00e9s, improvisava-se uma casa de ora\u00e7\u00e3o, e se reuniam os judeus das &#8216;proximidades&#8217; &#8211; o tempo se media em dias de barco. O calend\u00e1rio judaico era o mesmo que em qualquer parte do mundo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span>O modo de conviver era amaz\u00f4nico &#8211; a rede, o alimento vindo do rio, a roupa.<\/span><\/p>\n<p><span>\u00c9 \u00f3bvio que outros judeus tiveram participa\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o da comunidade judaica de Manaus (ver Benchimol,1998), que ap\u00f3s o boom da borracha, recebeu ondas de judeus vindos do interior, como foi o caso de L\u00e1zaro Salgado e de outras duas centenas de fam\u00edlias, onde fundaram duas sinagogas:<\/span><\/p>\n<p><span>A Beit Yaacov (1928\/29) dos &#8220;megorashim&#8221; (expulsos de Portugal e Espanha) e a Rabi Meyr dos \u201ctoshabim\u201d (nativos do Marrocos) ou &#8220;forasteiros&#8221;; e um cemit\u00e9rio, em 1929, no qual Salgado foi um dos primeiros enterrados, naquele mesmo ano.<\/span><\/p>\n<p><strong>Quem eram aqueles pioneiros judeus?<\/strong><\/p>\n<p><span>Provinham, em sua maioria do Marrocos Espanhol (Tetuan e Ceuta) e falavam espanhol e haquitia (dialeto que mesclava o hebraico, espanhol e \u00e1rabe); do Marrocos Franc\u00eas (Casablanca); do Marrocos \u00c1rabe (Fez, Rabat e outras vilas do interior onde habitavam os &#8220;toshabim&#8221; (nativos) chamados de &#8220;forasteiros&#8221; pelos &#8220;megorashim&#8221;, expulsos de Espanha e Portugal).<\/span><\/p>\n<p><span>Havia tamb\u00e9m uma outra corrente que se estabeleceu em Bel\u00e9m e Manaus, de origem francesa (Als\u00e1cia e Lorena), alem\u00e3 e brit\u00e2nica (Gibraltar).<\/span><\/p>\n<p><span>Benchimol (Judeus no Ciclo da Borracha, 1994:9) assinala:<\/span><\/p>\n<p><span>&#8220;A principal caracter\u00edstica desse movimento migrat\u00f3rio residia no fato de que, ao contr\u00e1rio da maioria das outras correntes, ela foi uma migra\u00e7\u00e3o familiar, integrada da mulher e dos filhos, o que assegurava o car\u00e1ter dom\u00e9stico e greg\u00e1rio da vida judaica milenarmente presa aos valores culturais e religiosos centralizados em torno das comunidades, que procuravam criar como forma de assegurar a continuidade de sua pr\u00f3pria cultura e tradi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><strong>Os judeus no boom do Ciclo da Borracha<\/strong><\/p>\n<p><span>A Amaz\u00f4nia brasileira se destacava como o maior produtor mundial de borracha e o grande boom deste ciclo produtivo se deu entre anos anos 90 do s\u00e9culo XIX e a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XX, tendo seu ano de pico em 1910, quando foram exportadas 38.547 toneladas de borracha, ao pre\u00e7o de 25,25 milh\u00f5es de libras esterlinas.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cEsse boom durou mais de 50 anos e fez deslocar cerca de 300.000 nordestinos imigrantes, sobretudo a partir de 1877 e 1888, em virtude da seca.&#8221; Durante esse per\u00edodo, a Amaz\u00f4nia foi povoada, tamb\u00e9m, por grande n\u00famero de europeus e migrantes portugueses, espanh\u00f3is, italianos, franceses, ingleses, alem\u00e3es, al\u00e9m de s\u00edrio-libaneses chegados no final do s\u00e9culo XIX.<\/span><\/p>\n<p><span>No entanto, depois dos cearenses e portugueses, a maior contribui\u00e7\u00e3o, tanto quantitativa quanto qualitativa, proveio dos sefaraditas marroquinos.\u201d (Benchimol, 1998:75)<\/span><\/p>\n<p><span>Em sua grande maioria \u201caviada\u201d por algum judeu pr\u00f3spero de Bel\u00e9m e Manaus foram para o interior (7). Muitos desses pioneiros come\u00e7aram como empregados, balconistas, gerentes de dep\u00f3sito, donos de flutuantes, guarda-livros e terminaram sua carreira como seringalistas e Coron\u00e9is de Barranco.<\/span><\/p>\n<p><span>\u00c9 interessante observar como aqueles judeus \u201cregat\u00f5es\u201d, praticavam uma atividade que pode ser perfeitamente comparada \u00e0 de \u201cclienteltic\u201d (ambulante, prestamista) (8) praticada pelos judeus ashkenazitas oriundos da Europa Oriental, com a diferen\u00e7a de que estes comerciavam pelas ruas e os sefaradis pelos rios, isto sem manterem contatos entre eles. (ver Salgado, 2000:43).<\/span><\/p>\n<p><span>A partir de 1911 tem in\u00edcio o per\u00edodo de colapso e estagna\u00e7\u00e3o e o advento da crise da borracha. Tem in\u00edcio ,ent\u00e3o, uma enorme onda migrat\u00f3ria do interior rumo \u00e0s capitais Bel\u00e9m, Manaus e at\u00e9 Rio e S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span>Como conseq\u00fc\u00eancia desta crise d\u00e1-se tamb\u00e9m um grande n\u00famero de fal\u00eancias entre as empresas ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o da borracha.<\/span><\/p>\n<p><strong>Os judeus da Amaz\u00f4nia e os prim\u00f3rdios do sentimento Nacional judaico no Brasil<\/strong><\/p>\n<p><span>Ao pesquisarmos sobre os prim\u00f3rdios do Movimento Sionista no Brasil, (9) encontramos que as primeiras atividades sionistas neste pa\u00eds tiveram in\u00edcio quase que simultaneamente ao in\u00edcio das atividades do movimento na Europa.<\/span><\/p>\n<p><span>No Brasil a iniciativa sionista nasceu no cora\u00e7\u00e3o da Selva Amaz\u00f4nica, no seio da pequena e distante comunidade sefaradi-marroquina (10), que j\u00e1 na virada do s\u00e9culo, travava contato com o diretivo do movimento na Europa. (10)<\/span><\/p>\n<p><span>Eram iniciativas isoladas de um pequeno grupo de pioneiros ativistas, ainda sem nenhum cunho organizativo, fato que s\u00f3 viria a ocorrer na Segunda d\u00e9cada deste s\u00e9culo.<\/span><\/p>\n<p><span>Nasceu na Amaz\u00f4nia, pois ali existia, como j\u00e1 vimos, j\u00e1 desde as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, a \u00fanica comunidade judaica organizada do Brasil, na cidade de Bel\u00e9m do Par\u00e1, e em outros pequenos n\u00facleos isolados do hiterland amaz\u00f4nico. (11)<\/span><\/p>\n<p><span>Nos grandes centros do sudeste brasileiro, n\u00e3o existia naquele ent\u00e3o, uma vida judaica estruturada comunitariamente. Fato que se daria somente mais tarde, a partir da segunda d\u00e9cada deste s\u00e9culo, com o incremento da imigra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia.<\/span><\/p>\n<p><span>Avraham Milgram (12) levanta a quest\u00e3o do porque desta iniciativa: se por raz\u00f5es human\u00edsticas de solidariedade e identifica\u00e7\u00e3o, (j\u00e1 que nenhuma causa de outro g\u00eanero, tal como rea\u00e7\u00e3o a anti-semitismo, como no caso do ocorrido com os judeus da Europa), poderia ser apontada, dado que os judeus sefaraditas do Marrocos j\u00e1 gozavam de uma vida pr\u00f3spera e tranq\u00fcila. E aponta para a necessidade de um estudo mais profundo que assinale causas de tal quest\u00e3o hist\u00f3rica, apesar de citar o incidente ocorrido em 1901, nas cidades de Camet\u00e1 e Bai\u00e3o, (13) quando v\u00e1rias casas comerciais de judeus foram saqueadas por membros da popula\u00e7\u00e3o local.<\/span><\/p>\n<p><span>Milgram assinala que tal incidente n\u00e3o deixou marcas na hist\u00f3ria destes sefaraditas. Por\u00e9m nesse ponto encontrei, um fato posterior que acredito, tenha correla\u00e7\u00e3o com tal incidente: trata-se da altera\u00e7\u00e3o feita nos estatutos da antiga \u201cSociedade de Exerc\u00edcio da caridade\u201d (Hebr\u00e1 Guimilut Hassadim), da comunidade de Bel\u00e9m, de 1902, que na oportunidade incluiu nos seus estatutos um novo objetivo da Hebr\u00e1: \u201cdefender os irm\u00e3os, de qualquer persegui\u00e7\u00e3o injusta que por acaso pudessem sofrer em todo o Estado\u201d (14).<\/span><\/p>\n<p><span>Tais atividades sionistas se configuram por correspond\u00eancias mantidas com o diretivo do Movimento Sionista de ent\u00e3o e por parcas contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 causa, objetivando a compra de terras na palestina para assentamento de \u201cchalutzim\u201d (pioneiros) e cria\u00e7\u00e3o de novos n\u00facleos judaicos.<\/span><\/p>\n<p><span>A partir de 1908, ocorre uma mudan\u00e7a de eixo no ativismo brasileiro para o sul do pa\u00eds, quando ent\u00e3o inicia atividades o sefaradita Jos\u00e9 David Peres (nascido em Breves no Par\u00e1 em 01\/03\/1883, mas que passa a viver no Rio de Janeiro). Peres foi o fundador do primeiro jornal judeu em l\u00edngua portuguesa do Brasil \u2013 \u201cA Columna\u201d (\u201cHa Amud\u201d), cujo um dos principais objetivos era a luta em prol da causa sionista. (15)<\/span><\/p>\n<p><span>Tal mudan\u00e7a de eixo parece coincidir com o decl\u00ednio da iniciativa sionista no seio da comunidade sefaradita marroquina da Amaz\u00f4nia, ocorrida em fun\u00e7\u00e3o de desinteresse aparente pela causa, e dificuldades financeiras. (16)<\/span><\/p>\n<p><span>Nos dois anos que circulou, \u201cA Columna\u201d foi o centro de toda a atividade judaica e sionista da ent\u00e3o nascente comunidade judaica brasileira.<\/span><\/p>\n<p><span>A partir de ent\u00e3o o Sionismo brasileiro ser\u00e1 dirigido pelas comunidades judaicas do sudeste, que tomavam forma organizacional mais consistente, com a chegada de levas imigrat\u00f3rias oriundas da Europa Oriental.<\/span><\/p>\n<p><span>A Segunda Guerra Mundial \u2013 O integralismo cabloco e os judeus na Campanha da Borracha<\/span><br \/><span>Os anos de guerra eram de efervesc\u00eancia pol\u00edtica. A retic\u00eancia do governo Vargas de se decidir sobre os rumos da participa\u00e7\u00e3o brasileira no conflito agitavam o pa\u00eds. Na capital amazonense n\u00e3o foi distinto. Nos meses que antecederam a decis\u00e3o brasileira, conforme testemunho do Prof. Samuel Benchimol(17), pol\u00edticos e jovens estudantes sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar.<\/span><\/p>\n<p><span>De um lado (e dentre eles Benchimol) estavam os partid\u00e1rios da ades\u00e3o em favor dos aliados, de outro os simpatizantes integralistas da ades\u00e3o ao Eixo. Como l\u00edderes deste bloco podiam ser encontrados Carlos Lost\u00e9rio e o futuro ex-governador do Estado do Amazonas, Jos\u00e9 Lindoso.<\/span><\/p>\n<p><span>Em 1942 o Brasil finalmente entra na guerra em favor dos aliados.<\/span><\/p>\n<p><span>O per\u00edodo era tenso. No in\u00edcio daquele mesmo ano s\u00e3o assinados os Acordos de Washington, (18) que entre v\u00e1rios itens, determinava que o Brasil, deveria participar no esfor\u00e7o de guerra atrav\u00e9s do aumento substancial da produ\u00e7\u00e3o de borracha, dado que os Estados Unidos se viam impossibilitados de acesso \u00e0 borracha produzida na \u00c1sia devido ao desdobramento do conflito naquela regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span>Como conseq\u00fc\u00eancia das determina\u00e7\u00f5es de tais acordos, foram criados o Banco da Borracha (Decreto Lei 445 de 9 de julho de 1942), com 55% do capital subscrito pelo governo brasileiro; 40% pela Rubber Reserve Company, uma entidade governamental norte-americana e 5% de subscri\u00e7\u00e3o p\u00fablica; e a\u00a0\u00a0S. A.V. A.- Superintend\u00eancia de Abastecimento do Vale Amaz\u00f4nico, criada pelo Decreto Lei 5.044 de 04\/12\/42. (19)<\/span><\/p>\n<p><span>O Banco objetivava dar aux\u00edlio financeiro aos seringalistas, cabendo a ele a exclusividade e o monop\u00f3lio das opera\u00e7\u00f5es finais de compra e venda da borracha. Tais atividades vem romper com as velhas estruturas do sistema de aviamentos que formavam a cadeia produtiva aviador-seringalista-seringueiro, desbancando aquelas firmas que operavam anteriormente.<\/span><\/p>\n<p><span>Com esta nova realidade muitas das firmas aviadoras tradicionais, dentre elas a judia B.Levy &amp;Cia., a mais importante firma aviadora e propriet\u00e1ria de armaz\u00e9ns de Manaus, passou a ter v\u00e1rias dificuldades que a levaram \u00e0 fal\u00eancia em 1943.<\/span><\/p>\n<p><span>J\u00e1 a S. A.V.A., propunha atrav\u00e9s do Decreto Lei que a criou controlar a estrutura de funcionamento da produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio, bem como o abastecimento.<\/span><\/p>\n<p><span>Naquele per\u00edodo exercia o cargo de Diretor Regional, o ex-secret\u00e1rio de Economia e Finan\u00e7as do Governo \u00c1lvaro Maia, o judeu Rubem Salgado, filho de L\u00e1zaro Salgado, que segundo aponta o Prof. Benchimol, &#8221; foi o primeiro judeu de import\u00e2ncia publica no Amazonas. Era como o Jos\u00e9 b\u00edblico da Amaz\u00f4nia. Rubem podia com seu poder transformar-se e tamb\u00e9m transformar um comerciante em milion\u00e1rio da noite para dia&#8221;.(20)<\/span><\/p>\n<p><strong>A trajet\u00f3ria de Rubem Salgado (21)<\/strong><\/p>\n<p><span>Longa foi a trajet\u00f3ria de vida deste filho de imigrantes pobres do Marrocos at\u00e9 al\u00e7ar altos cargos no Governo \u00c1lvaro Maia, no Estado do Amazonas.<\/span><\/p>\n<p><span>Nascido em Tef\u00e9 no interior do Amazonas, em 18 de junho de 1901, faleceu no Rio de Janeiro em 08 de novembro de 1999. Filho de L\u00e1zaro Salgado e Sime Alves Salgado, passou sua inf\u00e2ncia em Tef\u00e9, onde seu pai trabalhava como \u201cregat\u00e3o\u201d, viajando pelos rios amaz\u00f4nicos. Ali obteve sua primeira forma\u00e7\u00e3o secular em escola da cidade e sua forma\u00e7\u00e3o religiosa obteve em casa dos seus pr\u00f3prios pais. Em 1915, algum tempo ap\u00f3s receber sua maioridade religiosa, como era comum entre aqueles imigrantes, foi enviado por seu pai ao Marrocos, \u00e0 casa de parentes de sua m\u00e3e para casar com uma prima &#8220;prometida\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Empreendeu sua viagem via Lisboa, hospedando-se na casa da fam\u00edlia Israel, amigos de seu pai. L\u00e1 conheceu uma mo\u00e7a de nome Cette, que veio a ser sua futura esposa, sete anos depois em 1921.(22)<\/span><\/p>\n<p><span>Naquele mesmo ano seguiu viagem para Casablanca no Marrocos, l\u00e1 chegando desfez o compromisso, mas foi convidado por seu anfitri\u00e3o, Menachem Aflalo a estudar numa escola da Alian\u00e7a Israelita Universal, onde permaneceu por 3 anos.<\/span><\/p>\n<p><span>De volta ao Brasil, estabeleceu-se no Rio de janeiro, passando a trabalhar na empresa de navega\u00e7\u00e3o francesa Chargeaux R\u00e9unis.<\/span><\/p>\n<p><span>Foi ali que anos mais tarde aconteceu o encontro que iria modificar de vez sua vida:<\/span><\/p>\n<p><span>No in\u00edcio dos anos 30, estando de viagem ao Rio, o futuro interventor do Amazonas no governo Vargas, \u00c1lvaro Maia, (23) recebeu deste o convite para participar de seu governo, por suas aptid\u00f5es, forma\u00e7\u00e3o, e por gratid\u00e3o, pois seu pai L\u00e1zaro havia salvado a vida de Maia no rio Purus, conforme depoimento do pr\u00f3prio Rubem Salgado.<\/span><\/p>\n<p><span>Rubem Salgado ingressou ent\u00e3o na Fazenda do Estado no ano de 1930.<\/span><\/p>\n<p><span>Assumindo a fun\u00e7\u00e3o inicial de Inspetor de Rendas, fun\u00e7\u00e3o na qual se aposentou em 1954, (24) Salgado exerceu in\u00fameros cargos de confian\u00e7a na administra\u00e7\u00e3o \u00c1lvaro Maia, dentre eles o de Diretor da Fazenda do Estado, 1o. Secret\u00e1rio de Finan\u00e7as e Delegado Regional da S.A.V.A.<\/span><\/p>\n<p><span>Em todas as entrevistas concedidas, Rubem Salgado fez refer\u00eancias, (que tamb\u00e9m foram confirmadas pelo Prof. Samuel Benchimol), \u00e0s enormes press\u00f5es que sofreu por parte de comerciantes locais, no per\u00edodo de racionamento (a partir de 1942), principalmente por grupos alem\u00e3es com destaque aos Kramer e tamb\u00e9m a empresa General Harbour. Eram press\u00f5es ligadas a quest\u00f5es econ\u00f4micas e de abastecimento, mas segundo Salgado de cunho claramente anti-semita, que o atingiam pessoalmente atrav\u00e9s da imprensa local.<\/span><\/p>\n<p><span>Seu maior desafeto pol\u00edtico era Arthur Virg\u00edlio, ex- Secret\u00e1rio de Finan\u00e7as, ex-deputado e Senador.<\/span><\/p>\n<p><span>As press\u00f5es levaram Rubem Salgado a tomar uma atitude dr\u00e1stica: abandonou suas fun\u00e7\u00f5es em 1945 e radicou-se no Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p><span>Mais tarde, em 1951 quando assume de novo, desta vez democraticamente o governo no Amazonas, \u00c1lvaro Maia, reconduz Rubem Salgado a seu cargo na Fazenda, do qual se aposentou definitivamente em 1954, como j\u00e1 vimos.<\/span><\/p>\n<p><span>Na iniciativa privada, Salgado atuou no Grupo Bennesby, do qual se afastou com mais de 80 anos.<\/span><\/p>\n<p><span>Al\u00e9m de suas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e empresariais, Salgado dedicou grande parte de sua vida \u00e0 religi\u00e3o. S\u00f3cio Benem\u00e9rito de sua sinagoga, a Shel Guemilut Hassadim no Rio, foi seu Diretor Financeiro por v\u00e1rias gest\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span>Ao falecer deixou uma fam\u00edlia numerosa: 7 filhos, 5 netos e 5 bisnetos.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>(1) Graduado em Economia pela U.G.F., com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o pelo Melton Centre of The Hebrew University of Jerusal\u00e9m, com disserta\u00e7\u00e3o intitulada:&#8221;Historia vezehut: haitnassut shel haiehudim be Brasil&#8221;. (&#8220;Hist\u00f3ria e Identidade: a experi\u00eancia dos judeus no Brasil&#8221; &#8211; uma proposta de programa para estudo dos judeus no Brasil. Professor, pesquisador e gestor cultura. Diretor do Portal Amaz\u00f4nia Judaica.<br \/>(2) Campanha empreendida pelo governo brasileiro a partir dos Acordos de Washington (1942), objetivando colaborar no esfor\u00e7o de guerra, atrav\u00e9s de incentivo a extra\u00e7\u00e3o da borracha.<br \/>(3) A cita\u00e7\u00e3o \u00e9 do Prof. Samuel Benchimol em seu livro Eretz Amaz\u00f4nia (1998). Ele atribui a informa\u00e7\u00e3o a Bentes,1987:347, o qual transcreve cita\u00e7\u00e3o de Manoel Ingberg.<br \/>(4) A Alliance Israelite Universelle foi fundada em Paris, em 1860, por J. Carvalho, I. Cohen, N. Leven, A. Cremiux, A. Astruc e E. Manuel, com o apoio financeiro do Bar\u00e3o Maurice Hirsh. Seu objetivo era socorrer e ajudar as popula\u00e7\u00f5es judaicas necessitadas, trabalhar pela sua emancipa\u00e7\u00e3o e progresso moral.<br \/>(5) O ato de traduzir seu nome consta do livro de Laredo, A. &#8220;Les Noms des Juifs du Maroc&#8221; ( ), no verbete sobre os Elmaleh, onde ele afirma que &#8220;um ramo da fam\u00edlia estabelecido no Brasil no final do s\u00e9culo XIX, querendo adaptar seu nome \u00e0 l\u00edngua portuguesa e pensando que seu significado em \u00e1rabe \u00e9 &#8216;salgado&#8217;, o traduziu mal para Salgado&#8221;.<br \/>(6) Todas as demais informa\u00e7\u00f5es que possu\u00edmos sobre a figura de Eliezer Elmaleh\/L\u00e1zaro Salgado, nos foram fornecidas por seus filhos Rubem Salgado (no Rio de Janeiro em 30\/01\/97 e 07\/05\/98) e David Salgado (em Manaus, 19\/08\/98).<br \/>(7) Benchimol em seu livro \u00cbretz Amaz\u00f4nia(1998), enumera os seguintes munic\u00edpios com presen\u00e7a judaica: Breves, Gurup\u00e1, Camet\u00e1, Nai\u00e3o, Macap\u00e1, Afu\u00e1, Alenquer, \u00d3bidos, Santar\u00e9m, Parintins, Mau\u00e9s, Itacoatiara, Coari, Tef\u00e9, chegando at\u00e9 Iquitos, na calha central do rio Amazonas. No rio Tapaj\u00f3s: Boim, Aveiros, Itaituba; no rio Madeira: Borba, Manicor\u00e9, Humait\u00e1, Porto Velho, Guajar\u00e1-Mirim e Fortaleza do Abun\u00e3; no rio Purus: L\u00e1brea, B\u00f4ca do Acre at\u00e9 Rio Branco.<br \/>(8) H. Lewin, &#8220;A economia errante: A inser\u00e7\u00e3o dos imigrantes judeus no processo produtivo brasileiro&#8221;, in &#8220;Amilat \u2013 XI Congresso de Ci\u00eancia Judaica&#8221;.<br \/>(9) A presente an\u00e1lise baseia-se em dois artigos anteriores sobre o tema: C. Avni, &#8220;The origens of Zionism in Latin America&#8221;, in &#8220;The jewish presence in Latin America&#8221; (Elkin and Gilbert,1987), A. Milgram &#8220;Precursors of Zionism in Brazil before the turn of the 20th. Century&#8221;, (Frank Cass Journals,1995) e na tese de doutorado de M. Liberman &#8220;Judeus na Amaz\u00f4nia Brasileira: Sec. XIX e XX&#8221; (1990).<br \/>(10) Idem<br \/>(11) Idem<br \/>(12) &#8220;Precursors (&#8230;)&#8221;<br \/>(13) Egon e Frieda Wolff, &#8220;Judeus nos Prim\u00f3rdios do Brasil Rep\u00fablica&#8221;,1987.<br \/>(14) &#8220;Judeus na Amaz\u00f4nia (&#8230;)&#8221;<br \/>(15) Jornal &#8220;A Columna&#8221;, n\u00famero 1, 14 de janeiro de 1916<br \/>(16) Manaus, 7 de fevereiro de 1907. Arquivo David J. Peres, The Central Archives for the History of the Jewish People, Jerusalem, pag. 124, doc.4<br \/>(17) Em entrevista concedida ao autor em 22 de fevereiro de 2000 a partir de Miami e em 26 de abril de 2000 em Manaus.<br \/>(18) O Boletim da A.C.A. (Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Amazonas), ano I, n\u00famero 9 de abril de 1942, pag. 6 e 7, traz artigo sobre o estabelecimento dos acordos, mostrando uma posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel e otimista sobre o tema. O \u201cO Jornal\u201d, (ve\u00edculo de maior circula\u00e7\u00e3o de Manaus naquele per\u00edodo) do ano de 1942, traz em v\u00e1rios de seus editais posicionamentos otimistas em rela\u00e7\u00e3o aos Acordos e assinalam para a possibilidade de uma retomada da produ\u00e7\u00e3o de borracha e conseq\u00fcente crescimento da economia amazonense.<br \/>(19) Boletim da A.C.A., n\u00famero18, janeiro 1943, editou o decreto lei 5.044<br \/>(20) Entrevista concedida em Manaus em 6 de agosto de 1998.<br \/>(21) Tudo o que aqui apresentamos sobre a sua trajet\u00f3ria pessoal e pol\u00edtica baseia-se em depoimentos do pr\u00f3prio, de familiares e contempor\u00e2neos seus, excetuando-se o discurso do Prof. Dr. Rubem Azulay, proferido na sinagoga Shel Guimilut Hassadim, no Rio, em 26 de setembro de1998, pela passagem dos seus 97 anos, transcrito para o Boletim da Uni\u00e3o Israelita Shel Guimilut Hassadim, agosto\/setembro de 1998.<br \/>(22) Uma refer\u00eancia ao casamento de Rubem Salgado se encontra no verbete \u201dL\u00c1ZARO ELMALEH\u201d de \u201cGenealogia Hebraica&#8221; de Jos\u00e9 Maria Abecassis.<br \/>(23) Segundo depoimento de Rubem Salgado em 07\/08\/98, no Rio, \u00c1lvaro Maia estava no Rio para uma audi\u00eancia com Get\u00falio Vargas, na qual ficou confirmada sua nomea\u00e7\u00e3o para Interventor do Estado do Amazonas, fato ver\u00eddico: Maia foi Interventor do Amazonas de 193 a 194.<br \/>(24) A Portaria n\u00famero 22 de 1954, da Secret\u00e1ria de Economia e Finan\u00e7as do Estado do Amazonas, assinada por seu secret\u00e1rio Arhur Virg\u00edlio Filho, traz o desligamento de Rubem Salgado de suas fun\u00e7\u00f5es &#8220;considerando os longos e leais servi\u00e7os prestados \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221;.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presen\u00e7a Judaica na Amaz\u00f4nia Preserva\u00e7\u00e3o e Acultura\u00e7\u00e3o Um estudo atrav\u00e9s do caso dos Elmaleh \/ Salgado Por: Elias Salgado O presente trabalho tem por objetivo, estudar a trajet\u00f3ria dos judeus oriundos do Marrocos, que imigraram para a Amaz\u00f4nia, o &#8220;Eldorado Verde&#8221;, a partir das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX. 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