{"id":513,"date":"2019-08-22T16:37:15","date_gmt":"2019-08-22T16:37:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/amazoniajudaica\/?p=513"},"modified":"2019-08-22T16:38:32","modified_gmt":"2019-08-22T16:38:32","slug":"a-comunidade-hebraica-na-regiao-dos-vales-do-madeira-mamore-e-guapore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.amazoniajudaica.com.br\/en\/2019\/08\/22\/a-comunidade-hebraica-na-regiao-dos-vales-do-madeira-mamore-e-guapore\/","title":{"rendered":"A Comunidade Hebraica na Regi\u00e3o dos Vales do Madeira, Mamor\u00e9 e Guapor\u00e9"},"content":{"rendered":"\n[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; admin_label=&#8221;About Us&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; fb_built=&#8221;1&#8243; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0&#8243;][et_pb_row _builder_version=&#8221;3.25&#8243; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.0&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;3.25&#8243; custom_padding=&#8221;|||&#8221; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.0.0&#8243; custom_padding__hover=&#8221;|||&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.27.2&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; header_font=&#8221;||||||||&#8221; header_2_font=&#8221;Rubik|700|||||||&#8221; header_2_font_size=&#8221;42px&#8221; header_2_line_height=&#8221;1.2em&#8221; text_orientation=&#8221;center&#8221; module_alignment=&#8221;center&#8221; custom_margin=&#8221;|||&#8221; custom_padding=&#8221;|||&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; header_2_font_size_phone=&#8221;36px&#8221; header_2_font_size_last_edited=&#8221;on|phone&#8221; locked=&#8221;off&#8221; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.0.0.0&#8243;]<h2><strong>A Comunidade Hebraica na Regi\u00e3o dos Vales do Madeira, Mamor\u00e9 e Guapor\u00e9<\/strong><\/h2>\n<h4>Por: Nilva Menezes<\/h4>[\/et_pb_text][et_pb_divider color=&#8221;#ffb400&#8243; divider_position=&#8221;center&#8221; divider_weight=&#8221;5px&#8221; _builder_version=&#8221;3.9&#8243; max_width=&#8221;50px&#8221; module_alignment=&#8221;center&#8221; locked=&#8221;off&#8221; _i=&#8221;2&#8243; _address=&#8221;0.0.0.2&#8243;][\/et_pb_divider][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;3.25&#8243; _i=&#8221;2&#8243; _address=&#8221;0.2&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;3.25&#8243; custom_padding=&#8221;|||&#8221; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.2.0&#8243; custom_padding__hover=&#8221;|||&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.27.2&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;15px&#8221; text_line_height=&#8221;1.8em&#8221; custom_margin=&#8221;-4px|||||&#8221; custom_padding=&#8221;|||&#8221; custom_padding_tablet=&#8221;|40px||40px||true&#8221; custom_padding_last_edited=&#8221;off|desktop&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; _i=&#8221;0&#8243; _address=&#8221;0.2.0.0&#8243;]<div><p>Este trabalho teve a proposta de ampliar os registros e estudos sobre o povo judeu nos vales dos rios Madeira, Mamor\u00e9 e Guapor\u00e9, principalmente junto as pesquisas pioneiras efetuadas pelo jornalista Weltmann sobre a exist\u00eancia numerosa de descendentes dos imigrantes judeus marroquinos em toda a regi\u00e3o do Amazonas. As fontes utilizadas foram os documentos pertencentes ao acervo do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica do Tribunal de Justi\u00e7a do estado de Rond\u00f4nia: processos judiciais, livros cartoriais de Im\u00f3veis e Registro Civil que registram a movimenta\u00e7\u00e3o das pessoas pelas vilas ao longo do trecho ligado pela Vila de Porto Velho, ponto de partida da Estrada de Ferro Madeira Mamor\u00e9 a Guajar\u00e1-Mirim, ponto final da ferrovia que se estendia por rios e florestas. A periodiza\u00e7\u00e3o \u00e9 dada pela instala\u00e7\u00e3o da Comarca de Santo Antonio do Rio Madeira no ano de 1912, em face da documenta\u00e7\u00e3o produzida a partir de ent\u00e3o dentro da esfera do judici\u00e1rio e que foram as principais fontes para a pesquisa.<\/p>\n<p>O registro pessoal proporcionado pela ficha de mapeamento, onde os descendentes narram a hist\u00f3ria das suas fam\u00edlias foi fonte importante, contribuindo para a observa\u00e7\u00e3o das trajet\u00f3rias pessoais dos judeus na regi\u00e3o, e proporcionou a percep\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es familiares e principalmente a observa\u00e7\u00e3o do momento de rompimento que o t\u00edtulo desse trabalho prop\u00f5e, a quebra da tradi\u00e7\u00e3o religiosa. A narrativa de Mirian, filha de um judeu casado com uma mulher, identificada como n\u00e3o judia que era filha de bolivianos, nascida na Bol\u00edvia, traz de forma clara essa observa\u00e7\u00e3o. O pai de Mirian at\u00e9 morrer guardou os costumes religiosos. Os filhos possuem nomes t\u00edpicos, Abr\u00e3o, Myrian e Muny, mas somente ele praticou nas datas pr\u00f3prias do juda\u00edsmo a sua f\u00e9. Para os filhos o dia do Yom Kippur, era um dia em que ningu\u00e9m podia falar com o pai e que ele comia um p\u00e3o que vinha de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a hebraica na regi\u00e3o tem sido estudada e foi registrada com maestria por Samuel Benchimol em diversos trabalhos, no entanto procuraremos aqui, alargar e ampliar as observa\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes quanto a presen\u00e7a dos judeus nas cidades de Porto Velho at\u00e9 Guajar\u00e1-Mirim, observando as atividades exercidas e o movimento do grupo, registrando a importante presen\u00e7a desses imigrantes.<\/p>\n<p>Em trabalho sobre as identidades judaicas no Brasil organizado por Bila Sorj falando sobre os Judeus na Amaz\u00f4nia, Eva Alterman Blay registra a hist\u00f3ria de vida do judeu Isaac, que aos 21 anos no ano de 1909, vivia nos seringais perto da Bol\u00edvia junto ao Rio Abun\u00e3 e que trazia seus filhos para o brith-milah (circuncis\u00e3o) em Porto Velho onde existia uma comunidade hebraica composta de trabalhadores dos seringais e da Estrada de Ferro Madeira Mamor\u00e9.<\/p>\n<p>Conforme Samuel Benchimol em estudo sobre os judeus na Amaz\u00f4nia, as cerim\u00f4nias religiosas eram realizadas em Bel\u00e9m onde havia um rabino (Benchimol, 1999), no entanto, Eva Blay nos informa sobre a realiza\u00e7\u00e3o da circuncis\u00e3o na Vila de Porto Velho por volta de 1909. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que fosse na localidade de Santo Antonio do Rio Madeira, vez que no ano de 1909 em Porto Velho existia apenas o barrac\u00e3o da Estrada de Ferro Madeira Mamor\u00e9, sendo que todo o centro pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social estava em Santo Antonio e nas localidades at\u00e9 Guajar\u00e1-Mirim.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o termos registros, os documentos estudados deixam perceber que eles n\u00e3o chegaram a uma organiza\u00e7\u00e3o completa vez que seus mortos foram enterrados em cemit\u00e9rios n\u00e3o judeus conforme os registros encontrados de Isaac Benchimol (Cemit\u00e9rio da Candel\u00e1ria por volta de 1910) e no cemit\u00e9rio da localidade de Abun\u00e3 encontra-se enterrado Isaac Essab\u00e1 (1913) (Benchimol.1999).<\/p>\n<p>Inscri\u00e7\u00f5es em t\u00famulos no Cemit\u00e9rio dos Inocentes em Porto Velho, onde est\u00e3o Salom\u00e3o David Quirub, nascido em 07 de mar\u00e7o de 1891 e falecido em 06 de mar\u00e7o de 1942; Isaac Benchimol falecido em 21 de julho de 1927, onde consta \u201c(&#8230;) homenagem de sua esposa, filhos e HEBRAICOS de Porto Velho\u201d; Marcos Benchimol falecido em 25 de mar\u00e7o de 1938; Lazaro Bohabot \u201c(&#8230;) filho de Jayme Bohabot\u201d, falecido em 10 de novembro de 1922, s\u00e3o alguns dos nomes que registram a variedade de nomes de fam\u00edlia e a presen\u00e7a marcante na regi\u00e3o. Os registros de morte como da Senhora Reina Buzaglo falecida em Santo Antonio do Rio Madeira em 1913, cujo invent\u00e1rio registra bens. Os autos de invent\u00e1rio deixam transparecer a import\u00e2ncia da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Isaac Benchimol \u00e9 enterrado em 1910 na Candel\u00e1ria (Benchimol, 1999) e em 1923 no cemit\u00e9rio dos Inocentes consta outro sepultamento com pessoa do mesmo nome. Embora os nomes sejam os mesmos n\u00e3o se trata da mesma pessoa. \u00c9 comum a confus\u00e3o feita pela repeti\u00e7\u00e3o dos nomes entre os judeus. Essa confus\u00e3o tamb\u00e9m ocorre quando se trata dos s\u00edrios e libaneses. A variedade dos nomes adotados por eles n\u00e3o \u00e9 muito grande e era costume ficar repetindo o nome nos descendentes, assim como a utiliza\u00e7\u00e3o de nomes brasileiros, procurando a aproxima\u00e7\u00e3o sonora com seus nomes originais.<\/p>\n<p>Quando da observa\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o existente no Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica do Poder Judici\u00e1rio, onde est\u00e3o anotadas as transa\u00e7\u00f5es comerciais e as atividades dos habitantes locais, percebemos a grande concentra\u00e7\u00e3o dos nomes que podem ser identificados como hebraicos na localidade de Santo Antonio, mesmo porque nos primeiros anos do s\u00e9culo XX a localidade de Porto Velho pertencia a Ferrovia. Santo Antonio do Rio Madeira \u00e9 que apresentava uma sociedade organizada.<\/p>\n<p>Conforme anota\u00e7\u00e3o os judeus na regi\u00e3o precederam aos \u00e1rabes (Benchimol, 1999), outro grupo migrat\u00f3rio not\u00e1vel. Jeffrey Lesser em seu livro &#8211; A Negocia\u00e7\u00e3o da Identidade Nacional, que trata da minoria de migrantes e da luta pela etnicidade no Brasil observa:<\/p>\n<p>A surpresa dos brasileiros ante a crescente popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria do oriente M\u00e9dio transformou-se em choque, quando ficou claro que o primeiro grupo numeroso de imigrantes \u00e1rabes a vir para o Brasil n\u00e3o era mu\u00e7ulmano nem crist\u00e3o. De fato, a comunidade norte-africana que come\u00e7ou a se estabelecer na foz do Amazonas, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, era exclusivamente judia.<\/p>\n<p>Os judeus instalados em Santo Antonio do Rio Madeira, assim como os de Manaus, mantinham as mesmas caracter\u00edsticas e comportamento, sendo certo que a maioria era procedente de Marrocos e exerciam atividades comerciais. Sendo claro tamb\u00e9m que os judeus que desde o come\u00e7o do s\u00e9culo XIX come\u00e7aram a se estabelecer ao longo dos rios formavam uma rede de Bel\u00e9m at\u00e9 onde foi poss\u00edvel chegar.<\/p>\n<p>Quando da instala\u00e7\u00e3o das atividades judici\u00e1rias a documenta\u00e7\u00e3o nos permite observar os registros de im\u00f3veis e transa\u00e7\u00f5es comerciais datados a partir de 1912, efetuados no cart\u00f3rio da localidade. Neles encontramos um numero grande de fam\u00edlias hebraicas instaladas na comunidade, exercendo o com\u00e9rcio por meio de uma rede id\u00eantica a dos \u00e1rabes que ocorreu logo a seguir, mantida atrav\u00e9s de Bel\u00e9m, Manaus, Porto Velho, Santo Antonio do Rio Madeira, Fortaleza do Abun\u00e3, Presidente Marques, Generoso Ponce, chegando at\u00e9 Guajar\u00e1-Mirim.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 feita atrav\u00e9s dos sobrenomes de fam\u00edlia. Samuel Benchimol, relaciona os nomes de fam\u00edlias que adentraram a Amaz\u00f4nia, muitos desses nomes s\u00e3o encontrados exercendo atividades comerciais na localidade de Santo Antonio do Rio Madeira, sendo percept\u00edvel que n\u00e3o eram apenas viajantes. Os nomes dos homens aparecem os nomes das esposas assinando em atas de casamentos, em transa\u00e7\u00f5es comerciais, observando que as mulheres n\u00e3o eram analfabetas e tinham uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa na vida e nos neg\u00f3cios dos maridos que as brasileiras ou outras estrangeiras. Grande n\u00famero de nomes \u00e9 encontrado nos documentos de compra e venda de im\u00f3veis, nas transa\u00e7\u00f5es comerciais, nos casamentos e informa\u00e7\u00f5es sobre falecimento proporcionado pelos invent\u00e1rios.<\/p>\n<p>No caso dos judeus que habitavam a regi\u00e3o de Santo Antonio do Rio Madeira, muitos deles s\u00e3o identific\u00e1veis atrav\u00e9s da ata de casamento onde encontramos o nome dos pais dos noivos oriundos do Marrocos e onde \u00e9 registrado o casamento religioso j\u00e1 realizado de acordo com as tradi\u00e7\u00f5es hebraicas. Possivelmente essa cerim\u00f4nia tivesse sido realizada em Bel\u00e9m, onde havia uma sinagoga e um rabino, sendo o casamento civil realizado ap\u00f3s, em Santo Antonio onde residiam as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica comum entre eles \u00e9 a proced\u00eancia. Oriundos de Tanger no Marrocos refaziam na Amaz\u00f4nia a continuidade das suas tradi\u00e7\u00f5es, casando-se com os iguais, assim como anotou Benchimol em seu estudo \u201cAMAZ\u00d5NIA &#8211; Forma\u00e7\u00e3o Social e Cultural\u201d.<\/p>\n<p>A premissa de que para se criar uma sinagoga s\u00e3o necess\u00e1rios dez judeus (homens) com certeza poderia ser aplicada em Santo Antonio do Rio Madeira no come\u00e7o do s\u00e9culo. Relacionamos aqui nomes de fam\u00edlia, alguns j\u00e1 registrados por Benchimol e que aparecem nos documentos de Santo Antonio do Rio Madeira entre os anos de 1912 e 1930, residindo ou comercializando temporariamente.<\/p>\n<p>Israel, Azulay, Nabeth, Reich, Guitart, Chermont, Larramaga, Meyer, Bensabaht, Essab\u00e1, Serfaty, Benarech, Eshrique, Benchimol, Benchitrit, Buzaglo, Cerreuya ou Serruja, Malaquias, Marache, Nabeth, Guitart, Chermont, Reich, Benayon, Chacon, Dantas, Bastos, Fran\u00e7a, Castillo, Sotello, Barbiery, Drervell, Norton, Gusman,&#8230; Observamos nomes como Siqueira, Penha, Pessoa, Barchilon, Paiva, Barreto, qualificados como portugueses e que s\u00e3o encontrados nas mesmas listas onde se encontram os judeus estabelecendo casamentos e rela\u00e7\u00f5es comerciais.<\/p>\n<p>Eles mantinham rela\u00e7\u00f5es comerciais com os \u00e1rabes em pequena escala, observando-se um relacionamento mais estreito com os portugueses. Percebe-se pela rela\u00e7\u00e3o dos nomes nas cerim\u00f4nias de casamento e as testemunhas arroladas nas quest\u00f5es judiciais e nas transa\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias que as duas nacionalidades se serviam uma da outra, havendo troca nas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Cabe aqui uma observa\u00e7\u00e3o sobre o assunto \u201ccrist\u00e3os novos\u201d. Ser judeu n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o externa e sim uma condi\u00e7\u00e3o interna e sabemos que muitos judeus durante todo o processo de persegui\u00e7\u00e3o que sofreram foram obrigados a mudarem de nome. Rela\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cios e casamentos de membros das comunidades hebraica e portuguesa s\u00e3o freq\u00fcentes, induzindo-nos a crer que seriam os portugueses crist\u00e3os novos, mas isso os documentos n\u00e3o nos respondem.<\/p>\n<p>Quando do trabalho de campo anotamos que no caso da colaboradora Mirian Magosso, seu pai contraiu n\u00fapcias com uma mulher de origem boliviana e que a cerim\u00f4nia foi realizada no Par\u00e1. Essa mulher era vi\u00fava de um outro judeu da fam\u00edlia Azulay. Nos parecendo que esses casamentos no per\u00edodo passavam por um processo de triagem. Todos eram realizados no Par\u00e1 onde existia uma sinagoga.<\/p>\n<p>Aqui nos reportamos ao que n\u00e3o \u00e9 dito, ao que est\u00e1 por de tr\u00e1s das falas, nos sil\u00eancios. Conforme dados os judeus come\u00e7aram a migrar para a regi\u00e3o de Bel\u00e9m desde 1810, foram mais de 100 anos de transforma\u00e7\u00f5es e de migra\u00e7\u00e3o. Benchimol fala dos filhos de judeus ao longo dos rios e aqui enxergo parte dos portugueses de Santo Antonio como crist\u00e3os novos. Conforme estudos sobre as mulheres judias (polacas), contrabandeadas e vendidas no Brasil para explora\u00e7\u00e3o sexual (Benchimol, 1999) (Kushnir, 1996), observamos casos de mulheres com nome hebraico, procedentes do Marrocos vivendo em Porto Velho com homens de outras nacionalidades, qualificadas de forma pejorativa e envolvidas em processos criminais.<\/p>\n<p>Um exemplo pode ser encontrado no processo onde o portugu\u00eas Manoel de Oliveira Campos e sua \u201cconcubina\u201d Mercedes Sol Sabbat, marroquina (judia) ele com 26 ela com 25 anos de idade s\u00e3o acusados por brigas na resid\u00eancia de funcion\u00e1rio da Madeira Mamor\u00e9 Railway Company, na vila de Porto Velho.<\/p>\n<p>A evid\u00eancia oferecida pela documenta\u00e7\u00e3o das atividades dessa comunidade na regi\u00e3o \u00e9 bastante ampla e diversificada. Encontramos registros com nomes hebraicos como o caso de Ida Bentes Azulay sem muitas qualifica\u00e7\u00f5es; consta que ela vivia com Orlando Pereira da Costa com quem teve dois filhos que n\u00e3o receberam o nome Azulay em seus registros de nascimento, constando apenas o nome do pai. Ida era dom\u00e9stica e Orlando carregador de Malas, e pelo nome de fam\u00edlia acreditamos que fosse Ida uma judia, mas Orlando n\u00e3o nos d\u00e1 essa pista,mas possivel que fosse. Apesar da premissa de que a condi\u00e7\u00e3o de judeu seja transmitida pelo ventre materno, o documento n\u00e3o nos propicia esse entendimento, assim como a condi\u00e7\u00e3o paterna, como o caso de Miriam, n\u00e3o foi suficiente para manter a continuidade cultural a medida que observa-se tambem la\u00e7os de permanencia a uma oficialidade foram muitas vezes mantidos por uma n\u00e3o matrilineariedade judaica tal como pela Halak\u00e1 e sim apenas pela origem judaica paterna.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s atividades comerciais, essa presen\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 not\u00e1vel. Francisco da Cunha Bembom, Elias Le\u00e3o Buzaglo, e Jacob Essab\u00e1, que tamb\u00e9m traduzia documentos do espanhol para o portugu\u00eas, tinham firmas estabelecidas em Manaus.<\/p>\n<p>Abr\u00e3o Levy, comerciante representante da Firma B. Levy. Moises Serfaty era comerciante em Porto Velho, Saleb Merheb, que foi comerciante na povoa\u00e7\u00e3o de Generoso Ponce, cujo invent\u00e1rio tramitou em 1923. O montante da heran\u00e7a que foi de cinco contos e dezoito mil e novecentos r\u00e9is foram adjudicados pela vi\u00fava Rosa Morheb e pelos filhos Jos\u00e9 Saleh Morheb de 11 anos, Genoveva Saleh Morheb de 07 anos e Josephina Saleh Morheb de cinco anos. Salom\u00e3o Rengito era comerciante em Santo Antonio do Rio Madeira em 1926.<\/p>\n<p>As firmas estabelecidas apresentam os nomes: Dinard Benayon e Companhia tendo como s\u00f3cio Moyses Jos\u00e9 Bensabath; foi liquidada em 1916. Castillo &amp; Companhia, Beynayon &amp; Companhia, B. Levy e Companhia, N. Ariola e Companhia que nos induzem a afirmar pertenciam aos judeus em raz\u00e3o da forma de comercializar, sempre dentro de uma organiza\u00e7\u00e3o oportunizada pela rede partindo de Bel\u00e9m para Manaus e at\u00e9 Guajar\u00e1-Mirim.<\/p>\n<p>Muitos deles tinham firma estabelecida em Manaus e mantinham neg\u00f3cios em Santo Antonio, assim como nas demais localidades ao longo da ferrovia at\u00e9 Guajar\u00e1-Mirim, sendo administrada por algum parente.<\/p>\n<p>\u00c9 certo e deve ser registrada a import\u00e2ncia desses imigrantes na localidade que al\u00e9m das atividades comerciais exerciam os cargos p\u00fablicos relevantes na sociedade de Santo Antonio. O nome Chacon do primeiro juiz da Comarca (1912-1914) de Santo Antonio figura na lista das fam\u00edlias hebraicas da Amaz\u00f4nia, assim como Moyses Jos\u00e9 Bensabaht, comerciante e juiz suplente (1913 \u20131916) e Jos\u00e9 Penha, que era juiz adjunto do Distrito Judici\u00e1rio do Estado do Amazonas.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o termos registros nesta cole\u00e7\u00e3o de documentos anteriores ao ano de 1912 da localidade, certo \u00e9 que essas fam\u00edlias j\u00e1 se encontravam instaladas ali desde antes de 1900, provavelmente desde o in\u00edcio do per\u00edodo da explora\u00e7\u00e3o da borracha. Possivelmente desde o per\u00edodo em que foram abertos para navega\u00e7\u00e3o o Rio Amazonas e seus afluentes (1866) e que os judeus pioneiros que j\u00e1 se encontravam no Par\u00e1 adentraram e se expandiram ao longo dos rios, das vilas, dos povoados e seringais da hinterl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Benchimol anota que de 1810 a 1910 mais de mil fam\u00edlias de imigrantes judeus, tanto sefarditas-marroquinas como de outros grupos culturais judeus da Europa e do Oriente M\u00e9dio, vieram fazer a Amaz\u00f4nia, trazidos por motivos econ\u00f4micos, sociais, religiosos e educacionais em busca da ERETZ AMAZ\u00d4NIA &#8211; A NOVA TERRA DA PROMISS\u00c3O.<\/p>\n<p>Com a queda da borracha esses nomes desaparecem, permanecendo poucos vest\u00edgios dessa presen\u00e7a t\u00e3o marcante. Conforme ainda registra Benchimol, a maior parte estabeleceu-se em Manaus e Bel\u00e9m, estando registrados apenas a fam\u00edlia Benesby e David Israel em Guajar\u00e1 Mirim. A fam\u00edlia Querub em Porto Velho, Benchimol em Fortaleza do Abun\u00e3 e Moses Bensab\u00e1 em Santo Antonio do Rio Madeira.<\/p>\n<p>Os nomes de fam\u00edlia s\u00e3o como uma bandeira, significam tradi\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias importantes da regi\u00e3o. Nomes que j\u00e1 figuraram e figuram nas listas dos deputados, prefeitos, m\u00e9dicos, comerciantes, advogados, enfim, pessoas de destaque da sociedade. Muitos nem mesmo tem muita consci\u00eancia, desconhecem os significados de ser um neto de judeu em face da identidade perdida.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias, Benesby e Israel s\u00e3o citadas no trabalho de Samuel Benchimol como sendo os \u00fanicos remanescentes dos judeus na regi\u00e3o do Guapor\u00e9. Ao que se observa pelas pesquisas desenvolvidas, a fam\u00edlia Benesby permanece tanto em Guajar\u00e1-Mirim como em Porto Velho mantendo as tradi\u00e7\u00f5es culturais, no entanto a fam\u00edlia Israel conforme se observa da fala da Mirian perdeu a identidade cultural. Com a morte de David Israel, tendo em vista seus filhos serem de ventre de m\u00e3e n\u00e3o judia, os filhos n\u00e3o se consideram judeus. Lembram o nome de fam\u00edlia, um parente antigo que cultuava o Iom kipurr, e j\u00e1 se reconhecem como cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Mesmo ficando a d\u00favida com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 origem de Sara, face aos seus casamentos com dois judeus, ao fato de seu nome ser comum entre os mesmos, ela tamb\u00e9m poderia ser filha de pai judeu, que colocou-lhe um nome do seu gosto, mas a m\u00e3e n\u00e3o judia transmitiu-lhe a condi\u00e7\u00e3o de tamb\u00e9m n\u00e3o ser judia. Seu filho do primeiro casamento que traz o nome Azulay, de origem judia pelo pai, n\u00e3o \u00e9 judeu, condi\u00e7\u00e3o que o ventre materno n\u00e3o lhe concedeu. Pelas informa\u00e7\u00f5es de Miriam, ele \u00e9 reconhecido socialmente como judeu, por\u00e9m n\u00e3o participou das reuni\u00f5es, das cerim\u00f4nias religiosas com a fam\u00edlia Benesby em Guajar\u00e1-Mirim a exemplo de David Israel, seu padrasto.<\/p>\n<p>A Historia a partir de estorias pessoais<\/p>\n<p>Como exemplo utilizamos a hist\u00f3ria de Miriam que serve para percebermos como podem ter ocorrido as rela\u00e7\u00f5es entre os imigrantes hebraicos para as regi\u00f5es mais isoladas da Amaz\u00f4nia. A hist\u00f3ria de Miriam pode n\u00e3o ser s\u00f3 dela, pode ser de tantos outros filhos e netos de judeus que foram perdendo a identidade.<\/p>\n<p>Mirian Israel Magosso, filha de David Miguel Israel, conta a hist\u00f3ria do seu pai e seus av\u00f3s na Amaz\u00f4nia. Sua narrativa nos permite leituras de tantas outras fam\u00edlias judias que vieram fazer a Am\u00e9rica ou fugindo das guerras. Suas lembran\u00e7as s\u00e3o imagens que lhe deram. Sabe que seu pai era judeu, que praticava os rituais hebraicos em Guajar\u00e1-Mirim com a fam\u00edlia Benesby, mas isso na sua vida ficou apenas como imagens do dia que seu pai passava comendo o p\u00e3o diferente e sem falar com ningu\u00e9m. Ela informa que o p\u00e3o para o jejum vinha de S\u00e3o Paulo. Sua m\u00e3e se chamava Sara, natural de Trinidad-Bol\u00edvia e segundo Mirim era cat\u00f3lica, apesar de ter sido casada em primeiras n\u00fapcias com o judeu Isaac Azulay com quem tivera o filho Abr\u00e3o Azulay. Em segundas n\u00fapcias uniu-se em Bel\u00e9m do Par\u00e1 com David Miguel Israel tendo nascido dessa uni\u00e3o Mirian e Muny. Mirim informa que seu pai praticou a religi\u00e3o, comemorando o Kippur at\u00e9 morrer, mas os filhos nunca praticaram, se reconhecem como cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Durante as entrevistas com Miriam, questionando sobre o nome da sua m\u00e3e Sara Montanho, nome tipicamente hebraico e o fato de ter a mesma se casado, tanto nas primeiras n\u00fapcias da qual ficou vi\u00fava como na segunda com homens judeus. Ainda mais o fato de terem sido os casamentos realizados na cidade de Bel\u00e9m local de congra\u00e7amento dos judeus pela exist\u00eancia de sinagoga, a mesma n\u00e3o sabe se esses fatos guardam alguma rela\u00e7\u00e3o com a origem da fam\u00edlia de sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Pedimos a Mirian que narrasse o que sabia da hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia. Ela sabia que est\u00e1vamos querendo saber sobre o povo judeu na regi\u00e3o e come\u00e7a assim a descrever o que teve conhecimento:<\/p>\n<p>Passarei agora a contar a Hist\u00f3ria de David Miguel Israel. Chegou no Brasil, no Estado do Amazonas um casal de imigrantes com o nome de Jacob D&#8217; Israel e Rica D&#8217; Israel isso aconteceu mais ou menos no ano de 1897. Vieram para aqui fugindo das guerras, mas nesse intervalo de tempo minha av\u00f3 Rica D&#8217;Israel engravidou, dando \u00e0 luz a meu pai David Miguel Israel. Ele nasceu em Borba, Estado do Amazonas aos 14 dias do m\u00eas de setembro de 1900 e foi registrado no cart\u00f3rio desse munic\u00edpio. Pouco tempo depois surgiu um surto de mal\u00e1ria na \u00e9poca era a febre amarela muito grande no Amazonas. Temendo morrer desta mol\u00e9stia embarcaram novamente para Montreal na Fran\u00e7a. Alguns anos depois os av\u00f3s entregaram esse filho David Miguel Israel para um col\u00e9gio interno, que s\u00f3 saiu dali quando completou 18 anos, j\u00e1 bem educado falando v\u00e1rios idiomas. O pr\u00f3prio col\u00e9gio o mandou para o Brasil para o alistamento Militar, devido sua certid\u00e3o de nascimento ser de Borba-Amazonas. Chegou entao um rapaz de 18 anos, serviu o ex\u00e9rcito e depois nunca mais voltou para a Fran\u00e7a. Sua atividade era mascatear pelos rios, marretava muito comprando e vendendo produtos e tornou-se comerciante em Manaus. Tinha um com\u00e9rcio de confec\u00e7\u00f5es, foi a\u00ed que ouviu falar em Guajar\u00e1-Mirim, havia explodido aqui a borracha, a compra de peles, a poalha, e foi a\u00ed que ele veio para c\u00e1 e come\u00e7ou a comprar peles, poalha, borracha e mandar para exporta\u00e7\u00e3o. Conheceu nessa \u00e9poca minha m\u00e3e Sara Montanho e teve duas filhas Muny Israel Barbosa e Mirian Israel Magosso. Meu pai morreu no dia 27 de abril de 1985, com 85 anos de idade aqui em Guajar\u00e1-Mirim.<\/p>\n<p>O relato de Mirian, obtido atrav\u00e9s de uma ficha de mapeamento nos apresenta a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia das tantas que vieram para a regi\u00e3o e que exerceram atividades comerciais. Ela fala do seu pai, que nasceu em 1909, portanto esse tempo ao qual ela est\u00e1 se referindo \u00e9 um tempo recente, mas que nos oferece descortinar como se processam as transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sara Montanho poderia ter tido uma hist\u00f3ria parecida com a de Mirian, talvez seus pais tenham passado pelo mesmo processo de estrangulamento cultural, o que fez com que ela perdesse a identidade. Muitas mulheres podem ter passado por processos id\u00eanticos.<\/p>\n<p>Para concluir vale lembrar as observa\u00e7\u00f5es de Benchimol em cap\u00edtulo sobre a demografia judaica (Valer, 1999), onde ele aborda a quest\u00e3o dos filhos de judeus espalhados pelas barrancas de rios, dos tempos em que os judeus viajavam com seus regat\u00f5es, antes dos \u00e1rabes, ocorrendo o desaparecimento para o juda\u00edsmo de um grande n\u00famero de fam\u00edlias judaicas no interior amaz\u00f4nico. O ser, viver, ficar e sobreviver judeu n\u00e3o se tornou muitas vezes poss\u00edvel, e assim como o pai de Mirian que foi o \u00faltimo da fam\u00edlia a comemorar o Yom Kipur, tantos outros esqueceram do dia de pedir perd\u00e3o e acabaram incorporados e integrados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica.<br \/><br \/>\n<hr \/>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>ANTONACCIO, Gaitano. A Col\u00f4nia \u00c1rabe no Amazonas. Manaus, 1996.<br \/>BENCHIMOL. Samuel. Amaz\u00f4nia, Forma\u00e7\u00e3o Social e Cultural. Valer, Manaus,1999.<br \/>BLAY, Eva Alterman. Judeus na Amaz\u00f4nia. In Identidades Judaicas no Brasil Contempor\u00e2neo. (org) Bila Sorj) Imago, Rio de Janeiro,1997.<br \/>FAUSTO, Boris (org) Fazer a Am\u00e9rica. Edusp, S\u00e3o Paulo, 2000.<br \/>HARDMANN, Francisco Foot. Trem Fantasma-A Modernidade Na Selva. Companhia das Letras, S\u00e3o Paulo,1988.<br \/>KUSHNIR, Beatriz. Baile das Mascaras. Imago, Rio de Janeiro, 1996.<br \/>MAIA, \u00c1lvaro. Gente dos Seringais. Rio de Janeiro, 1956.<br \/>MONTENEGRO, Antonio Torres. Hist\u00f3ria Oral e Mem\u00f3ria. Contexto, S\u00e3o Paulo, 1994.<br \/>OLIVEIRA, Lucia Luppi. O Brasil dos Imigrantes. Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2001.<br \/>SCLIAR, Moacyr. Souza, Marcio. Entre Moises e Macuna\u00edma. Garamond, Rio de Janeiro, 2000.<br \/>TRUZZI. Oswaldo. Patr\u00edcios \u2013 S\u00edrios e Libaneses em S\u00e3o Paulo. Hucitec, S\u00e3o Paulo, 1997.<br \/>TRUZZI. Oswaldo. De Mascates A Doutores: S\u00edrios E Libaneses em S\u00e3o Paulo. Editora Sumar\u00e9, S\u00e3o Paulo, 1992<\/p>\n<\/div>\n[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comunidade Hebraica na Regi\u00e3o dos Vales do Madeira, Mamor\u00e9 e Guapor\u00e9 Por: Nilva MenezesEste trabalho teve a proposta de ampliar os registros e estudos sobre o povo judeu nos vales dos rios Madeira, Mamor\u00e9 e Guapor\u00e9, principalmente junto as pesquisas pioneiras efetuadas pelo jornalista Weltmann sobre a exist\u00eancia numerosa de descendentes dos imigrantes judeus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-513","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"yoast_head":"<!-- This site is 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