Reflexões Familiares.

Fotos antigas de família me transmitem prazer e curiosidades.

Fico imaginando como qualquer um ser é fruto do destino do acaso, que nos acompanha em tudo e constrói nossa história.

Nessa foto de família de meu lado paterno, meu avô Alberto Gabbay, minha avó Freha, cujo sobrenome de solteira era Benchimol, tios Isaac, David, Simão, Syme, Samuel (meu pai), Gimol e Raquel.

Meu avó (primogênito) tinha como irmãos Jacob, Elias e Messody. Eles formavam a família que, fugindo de discriminação, perseguição, vida de nômades, atravessaram da África (península hibérica) ao Brasil.

Todos vieram para o interior Amazônico. Meus avós saíram de Tetuan (Marrocos) para localidade de Xarapucú (Afuá), onde nasceram meus tios e meu pai.

De lá para Belém, um a um dos filhos vieram estudar enquanto meus avós permaneciam no trabalho para sustento familiar.

Filhos morando na pensão de Dona Sol Israel, outra família hebraica, cujo pagamento era feito com o extrativismo de gêneros e produtos da terra “santa” Afuá e do comércio em batelão no qual meu avô percorria os rios do Pará.

Depois de mandarem todos os filhos para Belém, encaminhados nos estudos e no trabalho, alguns tios na medicina, meu pai na odontologia (por profissão) e no direito (por vocação), meus avós vieram, se estabeleceram e reagruparam a família no casarão da Frei Gil de Vila Nova, no centro de Belém.

Histórias que meu pai me contou. Sei detalhes de cada passo, particularidades, sofrimentos e alegrias, tudo como se fosse um dos personagens vivo.

Sou capaz de reproduzir essa saga vitoriosa de meus antepassados que deu origem a grande e orgulhosa família Gabbay.

Nesses momentos de lembranças, me transposto no tempo e espaço, não sou eu quem escreve, somos todos de um passado.

Pulverizado e em progressão geométrica, destino ou acaso, somos partículas de um todo que segue crescendo para o desconhecido futuro.

Essa é a magia da vida.

Albert.

Albert Gabbay

Belém x SP

Em Belém nasci, cresci, estudei, trabalhei, conheci a mulher com quem sou casado, tive meus três filhos, nasceu dois dos meus cinco netos e tenho muitos amigos.

Em SP, turisticamente fazia esporádicas visitas até quando, há dezoito anos passados, minha filha se enraizou para estudar e trabalhar nessa cidade. Em sequência o mesmo se repetiu com meu caçula e por último com o primogênito.

Nessa migração, dois de meus filhos constituíram famílias com parceiros legitimamente paulistanos e o terceiro, depois de muitos anos morando em SP, adotou essa cidade como seu lar.

Desde então, sem nunca abandonar nossas origens, com muito amor à nossa terra, minha mulher e eu passamos a dividir moradia cá e lá. Fazemos da ponte aérea BelxSP um frequente vai e vem no trabalho e no lazer familiar.

Na balança da minha familia o equilíbrio se faz com dois pratos nivelados e de igual importância. De um lado os filhos, seus cônjuges e meus netos, todos morando em SP, e do outro, na nossa amada terra, minha mãe que com seus anos avançados esbanja saúde física e mental.

Vira e revira a ampulheta, gira a roleta, surgem novos tempos, no espaço com novos cenários entram e saem atores e assim vou agregando e nunca dividindo.

Julho, mês de férias com a família reunida aproveitando nosso verão e aquecendo meu coração.

 

Meus avôs.

Alberto era o nome tanto de meu avô paterno como do materno que deram origem ao meu.

Ambos judeus que nasceram em Marrocos, em períodos próximos, migraram com outras famílias sefaraditas para nossa Amazônia, onde nasceu meu pai e minha mãe, que se conheceram, casaram e deram a minha origem.

Sinto orgulho de todos.

Meu carnaval do passado

Minhas lembranças do carnaval remetem à minha adolescência em Belém.

Nas ruas, depois sambódromo, escolas e blocos de bairros desfilavam dividindo o espaço com foliões isolados, mas o carnaval de salão era mesmo o predominante e que eu participava.

Os bailes tradicionais aconteciam nos principais clubes da cidade, dentre eles, os que eu frequentava como sócio eram da Assembleia Paraense, Clube do Remo, Grêmio Azul e Branco e, como convidado, às vezes “penetra”, o do Pará Clube, Bancrévea, Automóvel Clube, Jockey Clube, Iate Clube e Tuna Luso.

Existiam bailes para adultos, “brotinhos”, infantis, à fantasia, das máscaras e com outros rótulos. Ainda hoje sobrevive em nossa cidade o tradicional e renomado concurso “Rainha das Rainhas”.

Na música, as orquestras clássicas da época tocavam marchinhas que, com letras ingênuas, outras carregadas pelo preconceito, se repetiam ano após ano com escassas renovações.

No salão, em círculo os homens faziam um cordão dançando e paquerando do mesmo lugar, enquanto as mulheres circulavam dando voltas sempre no mesmo sentido.

Entre baforadas de cigarro, de copo na mão, as bebidas mais consumidas eram Cerveja, Gim e Vodka, puras ou misturadas com refrigerantes.

Desse carnaval, o que eu fazia por impulso juvenil, ficou nas doces lembranças e hoje, esporadicamente tomo um drink, fumar nem pensar e o barulho em excesso não me agrada.

O carnaval, embora de forma diferente, ainda existe e eu já abandonei minha improvisada fantasia do passado.

Uma fotografia, impregnada em minha retina, mudou meu destino: meu primeiro carnaval festejado com uma menina magrela, olhos amendoados e cabelos lisos.

Da minha união com a bela menina, regado pelo amor, construímos uma linda família, atualmente com três filhos e cinco netos.

Do Palhaço seguem minhas brincadeiras com meus netos e o som de tamborins, que embalavam o Arlequim e a Colombina, foi substituído pelo compasso da batida ritmada do meu coração saudosista.

Se a folia de meu carnaval de outrora reside em minhas memórias, a sinfonia do amor é atemporal e o

Meryam e seus filhos

Minha Mãe.

Com a chegada aos 91 anos a nossa matriarca Meryam é soberana.

Filha de judeus imigrantes egressos de Marrocos, nasceu em Manaus, estado do Amazonas e, ainda criança junto com a família, veio para Belém onde construíu uma linda história que se perpetua por gerações.

Muito jovem, com apenas 18 anos, casou com meu pai, ele também com origem sefaradita, e dessa união tiveram dois casais de filhos, Eu sou o segundo dessa prole.

Como seu fiel filho e companheiro, desde sempre estamos juntos. No início a acompanhava nas idas diárias ao mercado e feiras, consultas médicas, sinagoga e nas visitas familiares frequentes na casa de meus avós.

Mais tarde, eu com minhas amadas Cecy e Meryam, viajando por terra, mar e ar, atravessamos continentes buscando prazer e conhecer mais sobre nossas origens.

De Jerusalém à Disney, do cenário pretérito do berço das religiões ao futuro mágico do mundo da fantasia, em viagens, navegamos na história.

Movido pelo amor e gratidão por minha mãe, tudo que escrever como registro de nossa relação, será infinitamente pequeno diante do significado de nossa história de vida.

Hoje, a batida de meu coração ecoa para agradecer a essa mulher guerreira que, com personalidade forte e pluralidade de comportamento, se transforma em múltiplas Meryam.

Existe uma para cada um dos seus filhos, netos, bisnetos, irmãs, parentes e amigos, todos importantes em seu universo relacional.

Dentre as suas características a teimosia talvez seja a mais forte. Morando sem acompanhantes, reluta em aceitar as evidências e cria argumentos para justificar sua posição.

A memória é um dos seus atributos mais admiráveis: datas, números, fatos, agendas, com uma capacidade impressionante armazena a tudo.

A modernidade a atrai e estimula. Sua idade não é impedimento para romper barreiras de hábitos e costumes.

Informatizada, é integrante de diversos grupos do Watsapp, usa o Face e navega na Internet até em áreas não recomendáveis.

Para mim minha mãe é perfeita. Qualquer viés de imperfeição ocorre devido seu coração generoso e pela vontade de viver, ser independente, livre e distribuir amor para todos que gerou e ama.

Minha mãe, ímpar e singular, é um orgulho para nossa família. Aceita meus impulsos e rebeldia, acalma meu corpo e acalenta minha alma.

Na linha de chegada de seu centenário, de sua sabedoria, do que passamos juntos e do muito que ainda dividiremos, extraio o néctar que irriga meu sangue quente e me transmite esse amor verdadeiro, que é o de um filho para a amada mãe.

Em 26 de novembro de 1931 nasceu uma estrela com foco de luz própria. Orbitando em torno dessa estrela maior, como satélites iluminados, parentes e amigos formam a constelação Meryam Serruya Gabbay.

Nessa data especial, desejo que ela receba o que distribui à todos o tempo inteiro. O Amor.

Obrigado Mãe.

Caricaturas de quatro gerações:

Meryam (minha mãe), Albert (eu), Arthur (meu filho), Gabriel (meu neto) e Carolina (minha neta).

Bianca (minha nora) e Cecy (minha mulher) nos proporcionaram esse belo registro da minha família – segmento de meu filho Arthur.

 

Laís

SP conquista o PA.

Por obra do acaso Marcello, no fluxo rotineiro de mais um dia como professor, foi surpreendido pelo destino. Na rota do trabalho foi abduzido por uma paulistana e ganhou um Porto Seguro na sua vida privada.

Laís iniciou junto a Marcello um capítulo de vida em comum que aproximou duas famílias até então desconhecidas. Desse amor, Theo a maior felicidade, nasceu transformou as demais vidas.

Moldada para as ciências humanas, a nossa futura psicóloga, desde cedo se dedica ao estudo das pessoas e da sociedade.

Na astrologia, como ferramenta, interpreta o comportamento e a personalidade de cada um.

Minha nora, unanimidade na família, sempre disposta, sorriso aberto, conciliadora, conquista a todos de cruzam seu caminho.

Laís é a aniversariante a ser homenageada.

Parabéns

pelo seu niver que, se já era dividido com parentes e amigos, a partir desse ano e para sempre terá um protagonista principal que ditará como e onde festejar. Theo é o nome dele.

Marcello, Laís e Theo

Daniela

No ventre de uma mulher, um corpo se forma surgindo a origem do milagre da vida. Com perfeição, equilíbrio e força mental são as mulheres quem dominam e ditam os destinos da humanidade.

As mulheres determinantes em minha vida foram presentes que D’us me deu com apenas um exemplar por geração.

Minha mãe, minha mulher, minha filha e minha neta, tomaram conta de meu coração, subiram ao pódio e são minhas líderes femininas.

Com uma forte personalidade, acervo genético herdado da mãe, minha filha Daniela me dá segurança e refina meu olhar de vida.

Se o amor entre pais e filhos prescinde de provas, o com nossa filha extrapola o campo material. Ao lado dela encontramos calor humano e acolhimento espiritual.

Dani transmite confiança e conhecimento quando à ela recorremos na busca de aconselhamentos para assuntos de qualquer natureza.

Em causas jurídicas e conflitos empresariais, com muita expertise e imparcialidade, Daniela sugere alternativas de soluções que transformam a equação complexa da sociedade imperfeita em soluções racionais e eficientes.

Dani e seu Ricardo, nos deram dois netos, Guilherme e Felipe tesouros da nossa vida que nos injetam ainda mais vontade em viver no paraíso de felicidade de nosso seio familiar.

Hoje, no niver de Dani, com a família presente, respiraremos muito amor e união ao som do Parabéns sob o comando do quinteto mais carinhoso e barulhento da família, nossos netinhos.

Viva a Dani!!!!

Albert e Cecy.

2022 / 2023 – Reflexões.

Ninguém pode dizer que esteve imune a avalanche de transformações decorrentes da imprevisibilidade que tomou conta da humanidade e que, nos últimos anos, invadiu a vida privada de todos.

No paralelo, sob forte influência externa, a materialidade e espiritualidade foram perdendo o equilíbrio de paridade com a primeira se sobrepondo sobre a segunda.

Mas, como uma gangorra, a mesma alternância da vida que transforma bonança em tempestade, também age no sentido contrário.

O momento é de retomada, tirando do passado lições de vida e focando na esperança de um futuro promissor.

Não é apenas a virada de uma folhinha de calendário ou a soma de um dígito na contagem do tempo que nos trará novos horizontes.

A atitude sim, porém quando estiver acompanhada pela vontade, determinação, ação e certamente pelos desígnios Divino.

Se como passageiros da vida, devemos ser desprovidos da miopia do egocentrismo, como seres humanos vivemos em sociedade e, se a vida coletiva é da própria natureza, a escolha é nossa, como é nossa a seleção da amizade.

Ser amigo não tem regras nem protocolos, podemos manter a amizade à distância, sem periodicidade de presença, com liberdade de pensamentos e com as nossas personalidades preservadas.

Os verdadeiros grupos de amigos são heterogêneos pela diversidade e homogêneos pelos propósitos de seus componentes.

A medida que amizade gera uma ação coletiva, a esperança se afasta do sonho e se aproxima da realidade.

Os desejos do novo ano estão pulverizados em muitas palavras: esperança, saúde, paz, felicidade, família, amizade, …, mas uma só palavra é capaz de reunir todos os significados, o Amor.

Regidos por D’us, onipresente com conceitos livres na crença e coração de cada um, desejamos que a chegada de 2023, seja repleta de Amor.

Feliz 2023.

Cecy e Albert.

Natal.

Natal significa nascimento, que por sua vez sinaliza início e todo início enseja a renovação e a esperança. Se a data é religiosa, a comemoração é universal.

No Natal, Papai Noel é o mensageiro imaginário infantil para tocar no coração, estimular o altruísmo e aproximar os diferentes atrelando-os pelo laço do Amor.

Ser criança é um estágio da vida, viver momentos de criança é um estado de espírito reservado àqueles que não congelaram o coração com o tempo.

O afago com o sorriso aberto de uma criança, o semblante de gratidão na face marcada de um idoso, o cumprimento de um desconhecido, o aperto de mão, o abraço de mais próximo, o beijo dos mais íntimos, o calor dos corpos, a saudade dos ausentes, as lembranças dos que partiram e a paz de espírito, tudo isso se resume em um só nome. Natal.

Que nesse Natal atravessemos as portas de nossos lares e escancaremos as do nosso coração, que o próximo não seja apenas o outro, mas que também seja o necessitado, muitas vezes desconhecido, que merece a atenção pela busca da dignidade da própria vida.

Portanto, devemos soltar aos ventos e não represar os sorrisos ou as lágrimas de emoção. E que esses sentimentos estejam intimamente ligados ao altruísmo.

O sonho que tinha ao ganhar um brinquedo quando criança atravessou o tempo, sofreu transformações e alcançou minha maturidade da vida.

Desejo que as fantasias do início da vida se transformem na realidade onde todos possamos viver a paz em harmonia coletiva.

Esse é o Natal de meus sonhos.

Sonhos mudam, o Natal permanece.

Feliz Natal!

Albert.